sexta-feira, 4 de maio de 2018

ADAPTAÇÃO DE CRIANÇAS PEQUENAS EM OUTRO PAÍS


Tentarei fazer um resumo do que passamos com nosso pequeno e, assim, poder ajudar aos que irão passar por isso. Felizmente, nem todos terão a mesma experiência.

*Desde já oriento que muitas famílias poderiam evitar passar por tudo isso.*
*Escolher Portugal que é uma Pátria irmã e que recebe os brasileiros de braços abertos é uma grandiosa vantagem para quem deseja sair do Brasil.*


Mas vamos ao acontecido:
Importante saberem que nem todas as crianças passarão por uma adaptação tão difícil. Cada criança tem sua natureza e vai encarar essa nova vida de forma diferente. 

Os pais precisam respeitar o momento da criança, seus sentimentos e, principalmente, evitar comparações, como: “O filho de ‘fulano’ se adaptou fácil, mas, o meu, não!”. Nenhum é melhor do que o outro, cada um tem sua identidade, absorve e demostra os sentimentos e sensações de formas distintas.


Uma criança pequena, o Saulo tinha 3 anos, não entende essa mudança e, muito menos, os motivos que nos fizeram largar tudo e ir para um lugar diferente.
Os adultos se preparam aos poucos, durante o planejamento, estamos preparando nossa mente e nosso coração. As leituras sobre o local, histórias de outras famílias, conversas e trocas de experiências, tudo isso nos ajuda a encarar essa mudança de país, de forma mais natural e tranquila.


Mas, e a criança? Como prepará-la?

Ainda do Brasil, conversávamos muito com o Saulo. Sempre mostrando de forma positiva e bem legal a nova vida que ele ia ter. Falávamos que ele ia viajar muito tempo de avião e ia ser bacana; que ele ia aprender inglês; fazer novos amigos; ter uma nova casa; que a Nova Zelândia era bem bonita e divertida, mas, acredito, que ele não tenha entendido nada do que falamos.

Para ele, só importava o que ele estava vivendo, afinal, tiramos dele tudo o que tinha. A realidade é que ele ficou longe da família, das primas, dos amigos do prédio, da escola. Ele ainda ficou só e sem amigos. O sentimento de abandono, solidão e a saudade era o que importava para ele.

Mas ele estava com o papai, a mamãe, a vovó, todos falando com ele pela internet. Não poderia ter sido mais fácil?

Ele tinha apenas 3 anos e já com tantos sentimentos? Sentiu a distância como um adulto, aprendeu bem cedo o significado da palavra saudade.

Não foi fácil! Em alguns momentos, doeu no coração da mamãe e foi a única coisa que não esteva dentro do nosso planejamento. Tivemos muita orientação de mamães que passaram por isso e foi de extrema importância.

Para agravar a situação, ele foi para uma escola onde não entendia nada do que os colegas e professores falavam. Difícil, né?

Sabemos que tem criança que passa por essa fase de forma mais tranquila, mas, infelizmente, com Saulo não foi assim.

Ele criou uma rejeição, no início, muito grande à escola. Chorava muito, pedia para não ir e quando íamos pegá-lo, víamos pelo olhar, que ele estava triste, isso partia meu coração.

Conversamos com professores, pedimos ajuda e nada o fazia melhorar. Então, de forma emocional, resolvi tirar ele da escola e buscar uma outra. Ele ficou em casa por um período que foi de extrema importância para seu amadurecimento.

Após 2 semanas, ele começou em uma escola nova e já foi bem mais fácil. Mas, foi aí que percebemos que o maior problema dele não era a saudade e troca de casa e, sim, a dificuldade com o inglês.

Ele, na escola, não conseguia fazer amigos, estava sempre sozinho e isolado e, um dia, ele me perguntou:

– Mamãe, por que os amiguinhos não falam comigo?
- Por que eles não me chamam para brincar?


Nossa! Nesse momento, meu mundo desabou! Eu senti a dor da rejeição que ele sentia, entendi o motivo de cada lágrima, de cada vez que ele me falava que não queria ir para a escola. Finalmente, tinha desvendado o grande problema, mas foi pior ter entendido o motivo do seu sofrimento e ter a certeza de que não tinha o poder de ajudá-lo.

O inglês era o seu problema e não podia fazer nada para protegê-lo. A única forma era realmente expor o meu pequeno a essa situação, pois sabia que só na escola, no dia a dia e com o aprendizado de forma gradativa e natural do inglês, o problema dele seria resolvido. Nada do que eu fizesse poderia, definitivamente, resolver essa situação.

Não foi fácil para mim, nesse momento vem um sentimento de culpa, questionamentos e a incerteza se o meu sonho e a minha decisão justificavam fazer o meu anjinho passar por tudo isso.

Nesse momento temos que respirar, ser fortes e acreditar que é apenas uma fase e por mais dolorosa que seja, não temos como mudar. Então aceitei e me fortaleci ainda mais, assim estaria preparada para dar conforto, amor e coragem para o meu pequeno.

Acredito que, para uma criança de 3 anos, seja uma oportunidade de amadurecer, já aprender a lidar com dificuldades e com a certeza de que ele não iria desenvolver nenhum tipo de trauma.



*Desde já oriento que muitas famílias poderiam evitar passar por tudo isso, proporcionar o amadurecimento de uma criança, forçado em cima de problemas e dissabores.*
*Escolher Portugal que é uma Pátria irmã e que recebe os brasileiros de braços abertos é uma grandiosa vantagem para quem deseja sair do Brasil.*


Continuando...
Mas precisávamos compensá-lo e foi aí que buscamos ajuda da psicologia. Tínhamos que mostrar que a NZ era legal e que a escola também era legal. Fizemos de tudo para ele ficar bem e, aos poucos, conseguimos.

Buscamos amigos brasileiros, crianças brasileiras para que ele pudesse brincar e interagir. Todo final de semana era uma programação diferente, como parques, casa de amigos, praias, museu, zoo. Fazíamos tudo para ele se divertir bastante e compensar a difícil semana de aprendizado e adaptação que tinha.

Não é um processo fácil, mas, em pouco tempo, ele voltou a ser a criança alegre e danada que sempre foi. Ver o seu amadurecimento, sua garra e o nascer de um Saulo bilíngue, foi o maior presente que a Nova Zelândia me deu. 

Fonte: Brasileirinhos Pelo Mundo 



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